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Poesia Empoeirada

27/02/2009

 

Ando escrevendo poesia de poeira.

Digo que escrevo.

Mas é meu pensamento que borda enquanto vivo.

Poesia empoeirada das coisas que se movem.

E envelhecem pouco a pouco.

 

Na tentativa de ser palavra.

A poeira me fará refém do que passa.

E só assim serei simples na vida.

Amante do pó.

Amiga do tempo.

Fiel à paisagem.

Inútil de tanto amor.

 

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d’ela

19/02/2009

 

 

 

 

 

Ela era uma que se confundia em pelo menos duas. 

 

É certo que um dia se encontraria com uma outra.

Que fosse um tanto uma, assim como ela era.

E foi em um dia assim que conversar em silêncio lhe aconteceu.

Um dia assim não chega a ser um lugar.

Um dia assim acontece nas paisagens de ser gente.

De ser pessoa só ao mesmo tempo em que outras.

Mas foi  em um dia assim que a esta uma aconteceu.

Por olhar bem de perto.

Então ela aprendeu uma coisa:      

A se confundir no que sentia.     

Não sabia mais o que era ela.

Porque sentia como uma primeira vez 

Ela era ela mesma sem saber.

Uma ela diferente nela mesma.

Por um instante não se reconhecia.

Instante a um só tempo.

Tão antigo quanto novo.

Tão vísível quanto cego. 

No descanso do corpo tensionado.

Ao limite de um segredo que se revela. 

Por um silêncio impronunciável.

Todo pulso em movimento.

Na proximidade da pele.

Sucessivamente externa.

Profundamente desdobrada.

Um encontro impossível aconteceu.

E as semelhanças eram abismos.

 

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para clarice

19/02/2009

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Eu não conheço o nome para a vontade da palavra.

10 fragmentos inteiros

17/02/2009

 

1.

 

Eu preciso de irregularidades ásperas em um plano fixo.

Não vou falar do gosto das coisas porque é muito íntimo.

A temperatura também não vem sem o caso é invenção.

O céu ameaça, a garganta ameaça, os braços ameaçam.

Sair do lugar por ressecamento, precipitação e suores.


2.

 

Os olhos não são a janela da alma.

O que olha não é de vidro nem de córnea.

Fora os batentes e as pálpebras.

Nos imundos de ser gente.

Existem outras entradas.


3.


Se não transbordo é porque escrevo.

Até a borda que me faz superfície.


4.


 

5.


vestido-detalhe-plenituide

 

 

 

6. 


Escrever sobre nada.

Eis o desafio.

O nada que resplandece na superfície das coisas foscas.

O nada que resseca quando brota capim sobre a terra.

O broto na superfície do nada.

 

Escrever nada sobre.

Eis outro desafio.

Por os próprios pés em estado de risco.

Viver de olhos adiante e não tropeçar neles.

Sobre tudo o  nada feito

 

Sobre escrever nada

Eu me desafio.

Da árvore a folha que cai sem pedir licença.

O silêncio na garganta que adivinha do ventre os desejos.

A voz na palavra aberta.

 

 

7.


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8.


não é na falta dos contornos que pareço sonho.

 mas porque vivo nos olhos acordados da pele.

 

9.

 

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10.


Quantos passos me separam de onde ainda não fui?

Quantas palavras escreverei até que a frase se faça?

Minhas unhas me avisam que devo cortar os passos.

Minha pele  entende de lua e de sol pelos poros.

Do que se fará o dia?

O que farei do dia?

Passos encontram o chão.

Pés rebatem pedras.

Distâncias se apertam.

Palavras escutam bocas.

Textos se desfazem na linha.

Frases bordadas à mão.

Unhas sujas de mundo.

Segredos impressos no ar.

Bordas que se respiram.

Camadas de vertigem.

Cabelos envergonhados.

Sombras que frestam meus olhos.

Quanto de sol.

Quanto de lua.

Quando me passo.

Quando palavra.

Quando me unho.

Quando me quanto.

 

 

 

 

 

 

caderno aberto

17/02/2009

 

caderno de desenho - diamantina / julho 2008

caderno de desenho - diamantina / julho 2008

caderno aberto

quando e assim

12/02/2009

Quando exposta ao sol mais insistente

A sombra se esconde no embaixo das coisas

E esboça sua desaparição

 

Assim também a borracha não faz mais

Do que gastar seu corpo mole no esforço inútil

De não deixar rastros

 

Quando o sol treme de exaustão

A sombra quer fugir para o impossível do infinito

E alonga a paisagem.

 

Assim também a voz ecoa irrevogável

E por empilhamento gago

Suplica amnésias aos pés das palavras.

vestido – frente e verso 2003/2006

12/02/2009

vestido-frentevestido-costas

detalhe do vestido

12/02/2009

vestido-detalhe-1

rascunho / desenhos avêssos – palavra habitada

12/02/2009

o-atras

rascunho / desenhos avêssos – palavra habitada

12/02/2009

o-atras_verso