Estado de Palavra

Parece que eu devo/

escrever agora mesmo alguma coisa.

Porque de outro modo/

seria desperdiçar um estado raro de palavra.

E este estado raro significa/

ter o corpo pronto para  acrobacias proibidas. 

É que as palavras assim/

rodopiam vivas à beira delas mesmas.

E não sei se chegam a formar frases.

Talvez porque eu não saiba/

o que dizer delas, o que dizer nelas.

Não sei como fazer durar/

este estado periférico que me rompe.

Sou agora uma que não sabe o que vê. 

Sou agora outra/

que se olha pálida em silêncio.

Talvez aquele estado raro/

fosse apenas o sangue que corria.

E todo o resto não passou de puro desejo/

travestido de umidade.

As palavras molharam tanto/

que de pesadas perderam a velocidade.                                        

Faço uma frase feita/

apenas de dedos que tocam teclas.                                        

Quero aproveitar que escrevo/

para pegar as palavras com as mãos.                                        

E despida de qualquer assunto/

me esqueço delas.                                 

O sangue circula agora em segredo.                                                                

E mais não posso contar.         

 

                                                                                                                        

 

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