Archive for maio \29\UTC 2009

Oferta ao dia

29/05/2009

 

 

Dou-me agora uma chance de alegria

Quero exercer o que me encerra

Farei furos nas paredes

Com os dentes monstruosos

Nascidos por amor

 

Comam o que faço de mim

Sirvo aqui um corpo vivo

Ao mundo que tem fome

Abro os olhos

Vejo agora

Fecho os olhos

 

Lá onde não há terra

Dissolvido na passagem de um lugar ao outro

Mora o desejo de um horizonte

O limite azul entre o mar e o céu

Que faz deitar o mundo

E anoitecer o dia

 

olhos invertiam

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manhã para você

19/05/2009

Ela disse:

você é uma pessoa, lembra?

Nascida como tantas outras

Tomada por um estômago vazio

Aos berros por seu primeiro desconforto

 

Você acaba de se lembrar da madeira e do fogo

Que ardiam por um súbito entendimento.

Você cobria o corpo com as pernas cruzadas

E fixava uma promessa que também se consumiria.

Diante do cheiro, da cor, do calor, como num estalo.

 

 

 

imunda1

 

imunda2

 

 

imunda3

Desenhar é dizer:

06/05/2009

 

– Olha isto,

é algo que nunca existiu

e que você sempre soube.

 

 

contorno1reduzido

 

 

 

olhar o mundo pode ser 

pisar os pés sobre um mesmo caminho repetidas vezes.

e escrever a luz incidente.

que os músculos estejam a serviço das sombras projetadas.

porque o sol varia em um piscar de nuvens.

Eu Gasto

01/05/2009

 

palavra-com-asa3

 

 

– Viver é o que me gasta, ela dizia.

E seus braços eram insuficientes.

Às pendências incluídas no que é viver.

Por isto existiam n’Ela tantas alças.

 

Eu adivinhava na firmeza de seus passos

Que não lhe era dada a graça de voar.

Suas alças a convertiam em algo sólido.

Que agüentava pedras e novelos.

 

Ela desfazia o que tecia, como oferta ao recomeço.

Possuía apenas o peso que dispunha ao mundo.

Ela gastava a percussão das coisas.

E os dedos ressoavam.

 

Seu corpo armado sobre pernas.

Guardava no peito um novelo de ar.

Brincando que os olhos fixos.

Eram pedras que enxergavam.

 

Tudo o que ela fazia era gasto.

Suspenso pelo alcance das alças.

Dado ao mundo por sua existência.

Já antiga e novamente nascida.