Eu Gasto

 

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– Viver é o que me gasta, ela dizia.

E seus braços eram insuficientes.

Às pendências incluídas no que é viver.

Por isto existiam n’Ela tantas alças.

 

Eu adivinhava na firmeza de seus passos

Que não lhe era dada a graça de voar.

Suas alças a convertiam em algo sólido.

Que agüentava pedras e novelos.

 

Ela desfazia o que tecia, como oferta ao recomeço.

Possuía apenas o peso que dispunha ao mundo.

Ela gastava a percussão das coisas.

E os dedos ressoavam.

 

Seu corpo armado sobre pernas.

Guardava no peito um novelo de ar.

Brincando que os olhos fixos.

Eram pedras que enxergavam.

 

Tudo o que ela fazia era gasto.

Suspenso pelo alcance das alças.

Dado ao mundo por sua existência.

Já antiga e novamente nascida.

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3 Respostas to “Eu Gasto”

  1. marcelo Says:

    o que suspende o corpo é a véspera!

    ai !

  2. Cau andrade Says:

    Tenho estas palavras inscritas em mim desde sempre. ai!

  3. Roberto Marques Says:

    Júlia,

    Belo poema. Gostei do “Eu gasto”.
    Tive uma namorada assim
    que dizia …gastar-se com a vida…
    e tinha um olhar duro, de pedra…

    Um abraço.

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